Histórias Taperinha Vera 05
 

Conheça a história da proprietária da Cia dos Bichos, cliente que escolheu a imobiliária antes de escolher o imóvel.

 
Ela cursou a faculdade de Direito porque sonhava em ser delegada. Contudo, Vera Hempe Colvero, 36 anos, mal sabia que a vida enveredaria para uma área completamente diferente e não com menos desafios do que a área policial. Foi em 2003, na Rua Visconde de Pelotas, que começava a história da primeira loja da Cia dos Bichos em Santa Maria.
 
Atualmente, já são cinco lojas na cidade, onde trabalham cerca de 60 funcionários. Dos cinco imóveis, três são locados pela Imobiliária Taperinha, fazendo com que a história das duas empresas tenham capítulos em comum. O empreendimento marcou o pioneirismo no ramo, até então incipiente na cidade, e foi quando Vera também passou a conhecer a linha tênue entre o ser humano e o animal.
 
Histórias Taperinha Vera 04– Se eu tivesse virado delegada, talvez não me sentisse tão realizada quanto sou hoje. O contato com os animais me transmite uma paz… Eu os amo! No começo, minha família me chamava de louca (risos). Para minha avó, por exemplo, cachorro a gente deixava no pátio, fazia uma polenta e deu. Hoje o mundo dos pets mudou, a visão mudou no que se chama “humanização dos animais” e as pessoas estão cada vez mais dependentes deles – explica a empresária, que divide a casa onde mora com duas cadelas e uma gata.
 
O envolvimento com os animais é tamanho que ela chama seus clientes bichanos pelo nome.
 
– Às vezes, é até constrangedor. Lembro do nome do cachorro e não do dono – brinca a empresária.
 
Histórias Taperinha Vera 07E basta conversar alguns minutos para perceber que Vera transborda envolvimento e intensidade. Ela, que já “botou a mão na massa” e pegou junto em tudo – do atendimento no balcão ao banho e tosa – acompanha o trabalho de perto e mantém uma relação de proximidade e companheirismo com cada um de seus funcionários.
 
Na vida pessoal não é diferente. Deve ser esse um dos motivos que a faz também ser uma amante dos esportes radicais como escalada, rafting e, atualmente, paraquedismo. A explicação, segundo ela mesma, é simples:
 
– É o momento que faz a vida e a intensidade faz parte de mim!
 

“Se eu perder tudo hoje? Eu começo tudo de novo!”

 
Histórias Taperinha Vera 02
 
Mesmo em constante expansão, o começo foi marcado pelo que a empresária denominou um “peitaço”. O primeiro desafio foi a escolha de uma imobiliária de confiança, antes mesmo de escolher o próprio imóvel. Outro, foi acreditar que a ousadia teria de dar certo de qualquer maneira. Isso porque, antes de ser inaugurada a primeira loja, o negócio, até então pertencente ao marido e sócio de Vera, era basicamente voltado à venda de cães, com pouco investimento na área de petshop e veterinária. Um problema de saúde com a única filha do casal obrigou-os a vender quase tudo o que possuíam:
 
Histórias Taperinha Vera 06– Ficamos dois anos em função do tratamento. Trabalhávamos para pagar as contas até que pensamos: ou expande ou fecha. Ou gente mete o peito e encara ou desiste. Foi quando alugamos uma sala no outro lado da rua. Eu nem tinha como alugar, mas foi tudo se encaixando e dando certo. A Taperinha já “existia” na minha vida desde 1985, quando vim morar aqui e meu pai comprou alguns imóveis. E é aí que entra o Claudio. Procurei ele por confiança, pois me conhecia desde criança. Até hoje, tudo que preciso, sigo tratando com o Claudio.
 
Assim nasceu a marca Cia dos Bichos. O novo estabelecimento ganhou espaço, visibilidade e contou com muito esforço. Vera lembra que foram dias montando e pintando prateleiras e atravessando a rua em viagens de carrinhos de mão que transportavam produtos do antigo para o novo estabelecimento.
 
Histórias Taperinha Vera 03Já Maria Eduarda, filha de Vera e hoje com 12 anos, esbanja saúde. É por ela que a empresária diz ter inspiração para seguir vivendo. Vontade e coragem de viver são, inclusive, as marcas dessa mulher que parece desafiar o destino:
 
– Todos somos iguais, ninguém sabe das batalhas de ninguém. Não me preocupo em perder, em deixar de ter alguma coisa material. Aí tu pode me perguntar: e se eu perder tudo hoje? Eu começo tudo de novo!
 
Texto: Pâmela Rubin Matge
Fotos: Juliano Mendes
 
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