Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Cabeçalho
 

Máximo, Nevio e Waldemar, fundadores da Imobiliária Taperinha, mantêm uma relação que resiste ao tempo, baseada no diálogo e no respeito.

 
Eles compartilham da mesma profissão, de muitos valores e de uma amizade que resiste ao tempo. Os advogados Máximo José Trevisan, 74 anos, Nevio Bellé Cancian, 74 anos, e Waldemar Kümmel, 78 anos, entrelaçaram suas diferentes histórias de vida e fizeram história na cidade, ao fundarem a Imobiliária Taperinha.
Foi na década de 60 que os jovens amigos alicerçaram sonhos e consolidaram um empreendimento que anos mais tarde resultaria na maior imobiliária de Santa Maria e região.
 
Tudo começou com a sociedade entre os três em um escritório de advocacia na sobreloja do edifício Taperinha, em 14 de dezembro de 1965, há 50 anos. Eles bem recordam que, apesar de o prédio ser um dos mais modernos da época, o espaço que tinham era alugado, com acomodações simples e divisórias de madeira. Foram os clientes do escritório que, ao pedirem assessoria em contratos e assuntos relacionados à compra, venda e locação de imóveis, acabaram motivando a criação de um departamento imobiliário. O negócio evoluiu e, em 15 de agosto de 1973, começavam as atividades da Imobiliária Taperinha.
 
– Sabe o que é nunca discutirmos ou precisarmos de um contrato? Sempre nos baseamos no compromisso moral – conta Nevio.
 
– E o único documento entre nós era um livro-caixa, onde anotávamos as entradas e retiradas de cada um e dividíamos tudo no final do mês – complementa Máximo.
 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Corpo 02
 
Se para muita gente a amizade e os negócios devem ser mantidos à distância para não comprometer as relações, Máximo, Nevio e Waldemar contrariaram o senso comum. Os sócios e amigos somaram-se nas diferenças. Hoje, quando um fala a respeito do outro, a cumplicidade e o companheirismo que extrapolaram o ambiente de trabalho se evidenciam em cada palavra e em cada lembrança que permanece viva.
 
– Sempre ouvíamos falar naquele ditado popular: “um alemão e dois gringos não pode dar certo”.  Estamos aí, há 50 anos. Eu alemão e os dois italianos (risos). Eu posso dizer que sou um intermediário entres eles, que são bem diferentes. Tive a oportunidade de fazer dois passeios pela Europa com eles, e deu bem para ver a diferença.  O Nevio é aquele ligado ao esporte, lembro bem das tantas vezes que saímos daqui e fomos a Porto Alegre pegando estrada de chão até lá para assistir aos jogos do Inter. Ele gosta da caça, da pesca. Já o Máximo é totalmente ligado à cultura. Desde que o conheci, sempre a serviço de diversos movimentos culturais. Foi com ele que conheci quase todos os museus de Portugal e Espanha – conta Kümmel.
 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Corpo
 
A diferença também é notada por Nevio, que descreve os amigos pela maneira com que se relacionam:
 
– O Kümmel é um homem de um coração generosíssimo, que conhece Deus e o mundo e sempre se mostrou um mediador por excelência. Fomos parceiros de militância política. O Máximo é alguém bem relacionado, de posições firmes e muito inteligente. Testemunhei as primeiras confissões amorosas dele. Lembro da vez que ele queria que eu conhecesse a Eunice (esposa de Máximo). Nós ficamos sentados no cordão da calçada e na hora da saída do colégio Olavo Bilac ele me apontou e disse: “é aquela” – recorda Nevio.
 
– O que eu posso dizer é que eu não seria o mesmo se não levasse em conta a amizade deles. Foram muitos momentos de alegria, outros momentos difíceis e, mesmo com personalidades diferentes, mantivemos um respeito que nunca foi referencial, foi sempre um respeito natural. O Nevio é meu vizinho de sala, vejo todos os dias. Já o Kümmel, vou só te contar uma: quando nasceu o Rafael, meu primeiro filho, ele e o pai dele estavam lá na Casa de Saúde, comemorando comigo e gritando: é macho! (risos). São tantas histórias. Olhe a nossa sintonia. Outra vez nós três trocamos os carros no mesmo dia e pelo mesmo modelo. Saímos em caravana com três Opalas – diverte-se Máximo, ao relembrar dos fatos.
 

Relação que se sustenta através do diálogo e do respeito

 
E lá se vão mais de 50 anos de amizade e 42 anos de uma empresa que valoriza as pessoas, cresce e se moderniza a cada dia. Amizade, muito trabalho, competência e características, ora diferentes, ora complementares, não foram exclusivamente suficientes para a sobrevivência e a expansão da Imobiliária Taperinha. Os sócios são unânimes ao mencionar dois ingredientes fundamentais: diálogo e respeito.
 
– Muitas empresas são hoje um conjunto de anônimos que estão a serviço de alguém que não é anônimo. Aqui valorizamos as pessoas e, por isso, acabamos nos tornando o que o pessoal chama de Família Taperinha. A imobiliária reflete os nossos valores e os valores das nossas famílias, que aqui estão enraizados – pontua Máximo.
 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Rodapé
 

O trio de sócios-amigos

 

Máximo José Trevisan, 74 anos

 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Máximo TrevisanElegante nos gestos, mostra intimidade com palavras ao verbalizar cada recordação, dignas de um escritor nato. É pai de Rafael, Ana Cristina, Raquel e Lígia, além de ser avô de três netos. Natural de Santa Maria, aos 12 anos foi para o pré-seminário Palotino em Faxinal do Soturno e, após, para Vale Vêneto. Concluiu os estudos em São João do Polêsine e em 1964 ingressou nas faculdades de Pedagogia e Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), prestando um ano de estágio no departamento de comportamento humano da Universidade de São Paulo (USP). Máximo teve a carreira marcada por seu trabalho na advocacia e, principalmente, na docência, estando vinculado ao departamento de ciências Administrativas da UFSM. Ele também fez mestrado pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio de Janeiro, em 1967.
Atualmente advoga, integra o Fórum das Entidades Culturais e é membro da Academia Santa-mariense de Letras.
 

Nevio Bellé Cancian, 74 anos

 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Névio CancianNatural de Nova Palma, é um gringo saudosista e cheio de orgulho da sua Quarta Colônia. Ligado à família, ao campo e à terra, também nutre um carinho especial ao vizinho Uruguai, sobretudo a Tacuarembó, que tem como segunda casa. É pai de Giuseppe, Giuliano e Luciana, avô de quatro netos e de mais alguns “filhos de coração”, como ele faz questão de mencionar.
Nevio tinha apenas nove anos quando entrou para o pré-seminário Palotino em Faxinal do Soturno, local onde ficou por apenas um ano e fugiu, com uma sacola debaixo do braço e pedindo carona na beira da estrada. Mais tarde, estudou em Vale Vêneto, Júlio de Castilhos e no Colégio Santa Maria. Cumpriu o serviço militar obrigatório e seu primeiro emprego foi na Associação Tradicionalista Estância do Minuano. Em seu currículo também estão as passagens pelo antigo Banco da Província, pela Prefeitura de Nova Palma e pela Caixa Econômica Estadual. Em 1962, ingressou na faculdade de Direito pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Junto do filho mais velho, ainda segue exercendo o Direito.
 

Waldemar Kümmel, 78 anos

 
Histórias da Taperinha Fundadores da Imobiliária Waldemar KümmelTambém conhecido pelo apelido de Alemão, Waldemar é um homem de fala expressiva e gargalhadas demoradas.  Ainda jovem deixou a cidade natal de Palmeira das Missões para morar para sempre em Santa Maria. Aos 12 anos, entrou para o Seminário São José e, após estudou no Colégio Manoel Ribas. Cumpriu serviço militar obrigatório e, em 1960, deu início à faculdade de Direito na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Trabalhou no Banco Agrícola Mercantil, mas fez carreira no Banco do Brasil. Lá foi escriturário e se aposentou como procurador jurídico.
É fundador do escritório de advocacia Kümmel e Kümmel, referência na cidade e reconhecido por manter parcerias de negócios com outros escritórios de todo o Brasil. Foi vereador em Santa Maria por três mandatos.
É pai de Eduardo, Daniel e Ana Rita. Tem 10 netos e um bisneto.
 
Texto: Pâmela Rubin Matge
Fotos: Juliano Mendes