Ela ainda guarda o papel do primeiro bombom que recebeu daquele que seria o seu companheiro de vida. Guarda também objetos, registros e conserva um brilho no olhar a cada lembrança que lhe ocorre. Não é para menos, já são 25 anos de uma relação que enfrentou preconceitos e que começou ao acaso (ainda que eles defendam que, na vida, nada é por acaso).

Nelsi Oliveira da Rosa, 62 anos, e Walmir Fernando Bayer, 66, se conheceram durante uma consulta em 18 de maio de 1980. Ela, médica do trabalho, ele, engenheiro mecânico da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Atualmente, ambos são locadores de vários imóveis pela Imobiliária Taperinha, que testemunhou e acabou sendo parte desta história.

– Sempre tive uma postura profissional e atendi o Walmir normalmente, como qualquer paciente. Mas assim que ele saiu da minha sala eu senti uma necessidade de ser amiga daquele homem. Ele passava por uma situação difícil na vida pessoal, desabafou comigo sem me conhecer e eu me solidarizei. Ele me pareceu ser uma pessoa tão do bem, além de ser um homem bonito, de origem humilde, uma coisa que eu sempre admirei – lembra Nelsi.

No dia seguinte, a médica lhe emprestou um livro e deixou o seu cartão com o número de telefone. Dias depois, se encontraram e passaram a conversar. Ela recém havia saído de um casamento. Ele, já pai de três filhos, também estava em processo de divórcio.

Maduros, compartilharam suas dores, vivências e experiências, mostrando que sempre há tempo e espaço para o amor:

– Nunca imaginei que ele me ligaria. Mas ligou, foi me visitar, entrou pela porta com um bombom de presente. Ele já tinha mais de 40 anos e eu era vista como uma divorciada. Alguns amigos até se afastaram de mim na época. Mas seguimos. Lembro que em 19 de Agosto do mesmo ano ele chegou apenas com um rádio e uma malinha de roupa. Nunca mais nos separamos – conta a médica.

Coincidência ou não, o que Walmir ficou sabendo tempos depois é que Nelsi era a mesma moça que havia o hipnotizado durante um passeio pelo Calçadão de Santa Maria:

– Nunca esqueci que era verão e fiquei encantando com uma moça que usava um vestido listrado e um sapato de salto branco. Cheguei a me virar para trás, mas ela entrou ali na Galeria do Comércio e nem me olhou. Eu nem imaginava que era ela e olha com quem estou hoje.

Nos casamos e também casamos com a Taperinha

 
– A Taperinha participou da nossa história desde o primeiro ano. Coloquei meus imóveis lá por causa da Nelsi, que já era amiga do Claudio desde jovem. Nos casamos e também casamos com a Taperinha administrando nossas coisas. Podemos viajar, sair e estamos tranquilos, sem falar do atendimento e da estrutura que há ali – enfatiza Walmir.

E entre imóveis e recordações, a Taperinha se orgulha de poder contar essa história e quem sabe, inspirar clientes e amigos. A propósito, às vésperas do Dia dos Namorados, o casal Walmir e Nelsi, que evitam rótulos, receitas de felicidade e datas como o único momento para se celebrar sentimentos, acabam fazendo confissões e compartilham suas impressões sobre o amor:

– Na verdade, estamos juntos há 25 anos e nos casamos, oficialmente, em 28 de fevereiro de 2009. Nada mudou, o amor é o mesmo. A Nelsi é essa ligeirinha, que sempre faz agrados e me transmite toda a confiança e me dá mais de 30 beijos por dia (risos). A gente se completa e isso basta – declara o tímido engenheiro, segurando a pulseira da mulher que carrega 25 argolinhas, uma para cada ano da relação.

– Nunca gostei de dizer “meu marido” ou ele me chamar de “minha esposa”. Essas coisas que todo mundo parece que precisa dizer para provar algo. Acho companheiro uma palavra tão bonita, tão profunda e que define tudo. Eu costumo chamá-lo de amor e confesso que até hoje ainda tenho um ciumezinho sadio. Quem não vai querer esse gatão, alto, magro… um “velho” charmoso desses? E penso que é isso que faz dar certo, nosso companheirismo, fidelidade e sinceridade ao longo dos anos. Independentemente de qualquer coisa, sempre dá para acreditar no amor. Isso vale para todas as pessoas em qualquer tipo de relação. O que vale é acreditar em toda forma de amor – conclui a médica.

#DiadosNamoradosTaperinha

Texto: Pâmela Rubin Matge

Fotos: Juliano Mendes