Se, ao pensar em um motoboy, você imagina alguém sempre agitado e com pressa por onde quer que ande, desconstrua esse estereótipo ao chegar na Imobiliária Taperinha. Isso porque Jeferson da Rosa Viana Neres, 28 anos, o “boy” da empresa, é a prova de que dá para ser eficiente sem perder a tranquilidade.

Talvez isso justifique o fato de o rapaz estar há seis anos na função sem nunca ter sofrido qualquer tipo de acidente, assalto ou ter sido multado por alguma infração de trânsito.

Todos os dias ele carrega, em pequenos envelopes e pastas, grandes responsabilidades. Segundo ele, estar na rua é uma terapia, pois isso o permite conhecer pessoas e lugares diferentes. O motoboy, que também é encarregado de fazer agenciamentos, fotografando apartamentos, casas, terrenos e pontos comerciais, revela que o segredo para fazer da rotina de trabalho algo leve é gostar do que faz e enxergar as coisas pelo “lado bom”.

– Sinto-me bem fazendo o que faço e sou feliz. O bom é que quando estou com qualquer problema, saio para a rua e volto melhor. Minha média é de 40km/h. Faço tudo no meu tempo, sempre cumpri os prazos e os diretores são acessíveis e confiam em mim. Acho uma bobagem sair na correria para chegar cinco minutos antes. Já vi acidentes, já vi gente estressada ou só reclamando da vida. Pra quê? – questiona.

Unanimidade na empresa

Se no velocímetro da moto Jeferson anda devagar, nas relações pessoais ele parece encurtar qualquer distância com facilidade e rapidez. Unanimidade na empresa, seu carisma toca colegas recém-chegados e fortalece laços com os mais velhos. Não é à toa que nos corredores da Taperinha comenta-se: “o Jeferson não sabe dizer não”, “o Jeferson é bom até demais”.

PS: Há quem diga que até de massoterapeuta ele atua quando os dias são mais tensos.

A recíproca também é verdadeira, pois o boy afirma encontrar nos colegas o carinho semelhante ao de uma família, sendo mais um na já instituída Família Taperinha.

Sobre sua outra família, a de sangue, faz questão de mostrar a tatuagem que carrega no braço contendo pai, mãe e o símbolo do infinito. Ele também conta que tem duas grandes paixões na vida: as sobrinhas Amanda e Brenda.

Tímido e de poucas palavras, o motoboy conta que adora fotografia e resume nas imagens uma descrição de si mesmo:

– Como é difícil falar da gente, né? Eu não consigo, nem no Facebook. Não gosto de exageros, gosto das coisas simples como andar de moto, pedalar, observar as paisagens e fazer fotografias. Tem coisas que não precisam de um monte de palavras. A imagem e o silêncio podem dizer muito mais.

 

Texto: Pâmela Rubin Matge
Fotos: Juliano Mendes