História da Gabriela
 
Pode parecer espantoso, mas quem diria que a adoção de um cachorro e uma mudança de cidade seriam divisores de águas na vida de Gabriela Sartori Bonini, 29 anos.
 
Isso porque quem vê a moça que é atendente de vendas da Imobiliária Taperinha, desde abril de 2013, não a conheceu antes. Alguns valores, é claro, ela conta carregar desde a infância, assim como gostos peculiares, como eleger maionese como comida preferida. E de todos os tipos (caseira, industrializada, à base leite etc.). O que também a acompanha há pelo menos 13 anos é o “vida”, apelido pelo qual seu paparicado noivo, Felipe, é chamado.
 
História da GabrielaMas o assunto era mudança. Uma delas é a Gabriela antes e depois do Cícero. Não, esse não é um ex-namorado ou um “filho” de Gabriela. É um cão da raça Yorkshire, de quatro anos:
 
– Foi um presente da minha irmã. Ele foi meu primeiro e único bicho e me ensinou tanta coisa. Tenho amor por ele, parece filho de verdade. Ter cachorro me ensinou sobre o que é ter responsabilidade e sobre sentimentos diferentes. Eles são companhias que nunca, nunca vão te deixar.
 
O vínculo entre humano e animal se estabeleceu de modo tão intenso que além do Cícero, Gabriela sempre procura ajudar animais que necessitam de cuidado, em campanhas, rifas ou quando alguém a pede. Na bolsa, além da carteira, do batom e do celular, leva junto um saquinho de ração para oferecer aos cachorros de rua que encontra em suas andanças diárias.
 
Ainda sobre uma Gabriela um pouco diferente da que se vê hoje, está a outra e mais significativa mudança. O começo de tudo foi em 2010, quando ela trabalhava em um banco e morava Júlio de Castilhos, cidade onde passou a maior parte da vida. Diante do pedido do namorado, o qual havia conseguido um novo emprego, ela aceitou mudar-se para Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia.
 
Na nova cidade, conheceu pessoas e trabalhou em dois bancos. Além da geografia, se deparou com realidades até então vistas apenas pela televisão. E, justamente, na simplicidade do povo nordestino, Gabriela ressignificou seu modo de ver o mundo:
 
História da Gabriela– Eu quebrei preconceitos e mudei minha cabeça. Aquelas imagens do sertão, das casas de barro que eu só via no Globo Repórter, pude ver de perto, assim como a dificuldades daquelas pessoas. Isso tudo fez eu me tornar uma pessoa melhor. Lá, eles têm uma cultura diferente. Passam reunidos, são felizes com tão pouco e valorizam as pequenas coisas. Isso faz a gente se questionar: passamos a vida correndo atrás de coisas materiais pra quê? Foi lá que percebi que sem a minha família eu não era nada e que tem coisas que o dinheiro não compra. Demorei para perceber isso e mudei totalmente. Se antes meus pais me imploravam para um almoço em família, hoje troco qualquer coisa para estar junto. Sinto a maior felicidade, por exemplo, quando nos domingos, na área da casa da minha avó, no interior de Silveira Martins, posso ficar conversando por horas e horas. Todo fim de semana que passo com eles, pareço que estou de férias. Acho que todo mundo deveria morar longe para dar um “click”.
 

A Volta pra Casa e o Começo de Um Novo Estilo de Vida

 
Foi a saudade de casa que fez Gabriela voltar. O noivo, também amigo e companheiro, deixou a Bahia para acompanhá-la. Já no primeiro mês, enquanto enviava currículos de casa dos pais, em Júlio de Castilhos, um desejo antigo se concretizou: morar e trabalhar em Santa Maria.
 
Em abril de 2013, Gabi, que é formada em Administração pela Universidade de Cruz Alta (Unicruz), trocou de vez os serviços bancários pelo ramo imobiliário. O novo trabalho, a nova vida e nova casa tiveram como porta de entrada a contratação pela Imobiliária Taperinha.
 
– Fui surpreendida quando me chamaram lá da Futura, concorrendo com tanta gente mais experiente que eu. Pensei: alguma coisa em mim chamou a atenção. Era para eu vir para esse lugar. Hoje vejo o quanto gosto do que faço mesmo em algo completamente diferente que eu fazia. Além de atendente, faço financiamentos e sempre tem algo novo. Ganhei experiência tratando com clientes e tendo que lidar diariamente com sete corretores, cada um com seu estilo, seu temperamento (risos). Dificilmente alguém vai me ver de mau humor ou reclamando. Se antes, no banco, eu parecia uma máquina e mal conseguia pensar, hoje eu sou feliz, pois me sinto em casa e tenho total liberdade para desenvolver meu trabalho – conta Gabriela.
 
História da Gabriela
 
Texto: Pâmela Rubin Matge
Fotos: Juliano Mendes