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Confira os relatos de algumas voluntárias da Liga Feminina de Combate ao Câncer

 
Muito mais que remédios e alimentos, as cerca de 60 voluntárias da Liga Feminina de Combate ao Câncer de Santa Maria (LFCC/SMA) se entregam à causa. A comunicação e a informação são os carros-chefes dessas mulheres que transformam palavras em ações práticas de auxílio, prevenção e conscientização.
 
O trabalho é disseminado em eventos organizados pela própria Liga, por meio de materiais ou durante os atendimentos a cada um que procura a Liga: pessoas diagnosticadas com câncer ou algum familiar.
 
A maioria vem encaminhada pelo setor de Assistência Social do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm). Poucas procuram por vontade própria.
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Janete LappanSegundo as voluntárias, há momentos em que o silêncio fala por si, em outros, porém, o diálogo pode ter efeitos curativos:
 
– Sempre buscamos uma palavra de conforto. Mas há quem se sinta constrangido em falar da doença. Às vezes, mais ouvimos do que falamos, pois tudo o que precisam é isso. Tenho certeza que esse trabalho faz bem aos outros, mas um bem ainda maior a mim – relata a presidente do Conselho Deliberativo, Janete Moraes Lappan, 75 anos.
 
Diferentes histórias e experiência de vida se cruzam na LFCC/SMA. A vice-presidente administrativo da entidade, Rosangela Barin de Abreu, 64 anos, venceu o câncer e trabalha há cerca de dez anos na Liga. Em seu cotidiano ela compartilha amizades, perdas e superação:
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Rosangela Abreu– Eu tive câncer em 2004 e me curei. Meu trabalho não tem relação com a doença que tive, mas na vontade de fazer algum trabalho voluntário. Li no jornal que a Liga precisava desse apoio e vim. Além da medicação para o câncer, há também remédio para pressão, colesterol e as nossas conversas. Temos psicólogos habilitados para os atendimentos, os quais também prestam trabalho voluntário. Mas acontece muito de nós também conversarmos. O pior é quando notamos as ausências de algumas pessoas e ficamos sabendo que faleceram. Corre “aquele sentimento difícil”, mas reagimos e tocamos em frente.
 

Ana Maria, a “Relações Públicas” da entidade

 
Uma das mais antigas voluntárias da LFCCSM é Ana Maria Lima e Silva Andrade. Aos 81 anos, mais de 20 trabalhando junto à Liga, ela esbanja disposição e simpatia. Muito querida pelas amigas e pessoa que tem um grande envolvimento com Santa Maria, recebeu o título de “Relações Públicas” de entidade. Ana, que também ajuda outras instituições da cidade, é campeã na venda de rifas e na distribuição de carnês para vincular voluntários.
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Ana Maria– A Liga é meu bálsamo, é tudo pra mim. Sempre digo que a gente não tem que ter vergonha de falar, convidar as pessoas. Trabalho há mais de 20 anos e lembro quando a sede era em um porão na Rua do Acampamento. Tínhamos ali algumas camas para acomodar as famílias que vinham de outras cidades. Foram muitas lutas. Tentamos muito uma casa desapropriada que pertencia ao Governo do Estado e ficava ali na Ângelo Uglione. Não conseguimos nada com eles. Aí, lembro bem da gestão da Janete Gehrke na Liga. Até o fim da vida dela, de bengalinha e sem cabelos lutando pela nossa sede atual. E foi troquinho por troquinho que juntamos 49 mil reais, compramos a sala e viemos pra cá, em agosto de 1999 – orgulha-se Ana.
 

Um bazar de roupas, calçados e afetos

 
Quem for até a sede da Liga, na Rua Dr. Bozano, 1051, logo na entrada irá se deparar com um bazar que reúne um pouco de tudo. São roupas, calçados, acessórios e muito carinho envolvido. É ali que trabalham Herta Solange Mendes, 77 anos, e Vilma Ávila Soares, 69 anos. Elas são responsáveis pelo recebimento e separação de cada peça destinada à venda. Tudo é lavado, dobrado e etiquetado.
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Bazar da Liga
 

Trabalho que passa de geração para geração

 
Para a vice-presidente social, Amelia de Mello Cunha, 80 anos, a seriedade faz com que pessoas físicas e empresas sigam ajudando a Liga.  Há também um grande número de profissionais, empresas, clubes e clínicas parceiras da entidade, que atualmente é presidida por Clecy Denardin.
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Amelia CunhaAmelia faz questão de se referir e agradecer a cada pessoa que já contribuiu nos mais de 60 anos de trajetória. Ela cita as mais diferentes doações já recebidas, que vão de cestas básicas e roupas a itens mais difíceis de conseguir, como transporte, cadeiras de rodas, nebulizadores, ventiladores, perucas, colchões e alimentos especiais.
 
De acordo com a vice-presidente social, a causa é transmitida de geração para geração. Muitas foram as filhas, netas e amigas de voluntárias que participaram dos concursos promovidos pela Liga, como Glamour Girl, Glamour Ladys, Vovó Glamour e outros. Mais do que exibir beleza, as representantes sempre precisar manter um envolvimento social:
 
– Aqui somos solidárias com o público e umas com as outras. Sou aposentada e também trabalho com outras instituições. Não há nada melhor que chegar no final do dia e pensar: fiz mais isso! Essa é a minha compensação. Às vezes exagero. Já fiz até ponte de safena e o coração sente… (risos). Mas me entrego porque amo ser voluntária!
 

Outubro Rosa

 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria PazO Outubro Rosa é um movimento internacional que chegou ao Brasil em 2008 por iniciativa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama). A entidade visa conscientizar a população sobre a importância da detecção precoce da doença para a redução da mortalidade. Entre as ações que ocorrem ao longo de todo o mês, está a iluminação de prédios e monumentos históricos na cor rosa, que também faz referência ao laço de mesma cor, símbolo da luta contra o câncer de mama.
 

Ajude!

 
Toda ajuda é bem-vinda e integralmente revertida para auxiliar nas despesas dos pacientes atendidos e cadastrados na Liga Feminina de Combate ao Câncer de Santa Maria.
 
Histórias Taperinha Liga de Combate ao Câncer Santa Maria Doações
 
O que doar: Roupas, calçados e acessórios em boas condições, fraldas, cestas básicas, cobertores e ajuda financeira.
Onde: Na sede da Liga (Rua Dr. Bozano, 1051 – sala 3). De segunda a sexta, das 9h às 11h, e das 14h às 17h.
Fone: (055) 3223-7911
 
* Doações em dinheiro também podem ser feitas por depósito bancário (Banrisul – Agência: 350. Conta: 0602356405)
 
Texto: Pâmela Rubin Matge
Fotos: Juliano Mendes